Vender é só metade do trabalho. Para quem mora fora, a venda termina quando o dinheiro chega à conta que a pessoa realmente usa. No Brasil, transferências internacionais passam pelo mercado de câmbio regulado, e os bancos precisam entender de onde veio o dinheiro. Com os documentos certos, é rotina. Sem eles, pode levar semanas.
Passo 1: onde o comprador paga
A maioria das vendas é paga em reais numa conta bancária no Brasil. O mais limpo é uma conta em nome do próprio vendedor. Pagar na conta de um parente ou do procurador cria uma lacuna na documentação que o banco vai questionar depois — e pode gerar dúvidas fiscais também.
Se você não tem mais conta no Brasil, abra uma antes da venda ou veja se o seu banco oferece conta para não residente. Alguns bancos permitem parte do processo pela internet; outros exigem visita ou procuração.
Passo 2: a operação de câmbio
Para enviar o dinheiro ao exterior, o banco ou a instituição autorizada fecha com você um contrato de câmbio, converte os reais para a moeda estrangeira e faz a transferência. Normalmente pedem:
- a escritura de venda e, de preferência, a matrícula atualizada com o registro;
- o comprovante do pagamento do imposto sobre o ganho de capital, quando houve ganho;
- sua identificação e o CPF;
- os dados da conta de destino no exterior.
O banco precisa justificar a operação pelas regras de câmbio e de prevenção à lavagem de dinheiro. Um dossiê completo acelera tudo.
Custos a considerar
- o spread do câmbio (diferença entre a taxa que você recebe e a taxa de mercado);
- tarifas bancárias dos dois lados;
- o IOF que incide sobre operações de câmbio — a alíquota depende do tipo de operação;
- tarifas do banco que recebe no exterior.
Compare ao menos duas instituições. Em valores altos, pequenas diferenças de taxa pesam.
Se o imóvel foi comprado com dinheiro de fora
Quem trouxe dinheiro ao Brasil para comprar o imóvel — principalmente estrangeiros — pode ter registrado esse investimento no Banco Central na época. Ter esse registro e os documentos da remessa original costuma facilitar o retorno. Se não houve registro, não é necessariamente um problema, mas avise o banco e o contador desde o começo.
Prazos
Planeje a remessa como parte da venda, não depois:
- Antes de assinar, confirme com o banco quais documentos ele vai pedir.
- Garanta que o compromisso diga que o pagamento vai para a sua conta.
- Peça o cálculo ao contador e pague o imposto no prazo.
- Depois da escritura e do registro, envie o dossiê completo ao banco.
No seu país
Transferências grandes podem ser informadas pelo banco às autoridades, e o ganho pode ter de ser declarado onde você mora. Deixe os documentos brasileiros traduzidos ou fáceis de explicar. O contador local dirá o que declarar.
Atrasos comuns
- pagamento feito na conta de outra pessoa;
- falta do comprovante do imposto;
- CPF irregular;
- nome grafado de formas diferentes na escritura, no CPF e no passaporte.
Próximo passo
Se você está planejando uma venda e quer as etapas — venda, imposto e remessa — alinhadas desde o início, descreva a situação no formulário de consultoria. A resposta chega por e-mail.
ImportanteInformação geral, para orientação — não é parecer jurídico, fiscal ou financeiro. Daniel Ferreira é corretor de imóveis, perito avaliador e administrador, não é advogado nem contador. Regras, alíquotas e procedimentos mudam e dependem do caso: confirme com advogado, contador, seu banco e os órgãos oficiais antes de decidir.