Inquilino que para de pagar é estressante em qualquer lugar. De outro país, com fuso horário diferente e ninguém na porta, é fácil esperar demais. O tempo é o principal inimigo nesses casos: cada mês aumenta a dívida e as contas de condomínio e IPTU que continuam sendo responsabilidade sua.
Primeira semana: converse por escrito
A maioria dos atrasos começa com um problema do lado do inquilino — perda de emprego, doença, mudança na família. Uma conversa direta e cedo resolve muitos casos. Use a escrita (e-mail ou mensagens que possam ser guardadas), seja educado e objetivo: valor devido, vencimento, o que você propõe.
Se uma administradora cuida do imóvel, peça que faça esse contato imediatamente e que preste contas.
Acione a garantia
Veja qual garantia o contrato tem:
- Seguro-fiança — comunique a seguradora dentro do prazo da apólice. Seguradoras costumam ter cobrança e apoio jurídico próprios.
- Fiador — notifique o fiador por escrito sobre a dívida.
- Caução — cobre parte da dívida no fim da locação, conforme o contrato.
Demorar a avisar a seguradora ou o fiador pode enfraquecer a sua posição.
Um acordo por escrito
Se o inquilino quer ficar e consegue pagar, um acordo curto por escrito pode funcionar: valor, parcelas, datas e o que acontece se uma parcela atrasar. Seja realista. Se o inquilino prefere sair, combine a data de entrega das chaves, a vistoria final e como a dívida será quitada.
Notificação e ação judicial
Quando a conversa não resolve, a ação de despejo por falta de pagamento é proposta na Justiça por advogado. Conforme o contrato e a garantia, a lei permite procedimentos mais rápidos em alguns casos. O inquilino pode ter a chance de pagar a dívida para evitar o despejo, nos limites da lei.
Você não precisa viajar: o advogado atua por procuração — veja procuração do exterior para imóvel no Brasil.
O que nunca fazer
- trocar a fechadura, cortar água ou luz ou retirar os pertences do inquilino;
- entrar no imóvel sem autorização;
- ameaçar ou expor o inquilino publicamente.
Além de errado, isso pode transformar o credor em réu.
Enquanto isso, proteja o imóvel
Durante o processo, mantenha IPTU e condomínio sob controle — a inadimplência do inquilino não elimina a sua exposição a essas dívidas. Veja IPTU e condomínio morando fora.
Evite o próximo
- análise cuidadosa do inquilino e uma garantia sólida (o seguro-fiança é prático para quem mora fora);
- vistoria detalhada na entrada;
- um administrador com rotina clara de cobrança no primeiro dia de atraso.
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Próximo passo
Se o seu inquilino já está atrasado, o melhor momento para organizar a resposta é agora. Descreva a situação no formulário de consultoria — a resposta chega por e-mail, com os próximos passos e o momento certo de envolver um advogado.
ImportanteInformação geral, para orientação — não é parecer jurídico, fiscal ou financeiro. Daniel Ferreira é corretor de imóveis, perito avaliador e administrador, não é advogado nem contador. Regras, alíquotas e procedimentos mudam e dependem do caso: confirme com advogado, contador, seu banco e os órgãos oficiais antes de decidir.